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IRLANDA – País favorece estudantes brasileirosWednesday, February 27, 2008http://crisis21.blogspot.com(
BR Press) - A República da Irlanda está interessada em aumentar a presença de brasileiros estudando inglês em suas escolas. E o recém-inaugurado Irish Institute ou Instituto Brasil-Irlanda promete ter neste fomento sua principal atividade. Trata-se de uma iniciativa apoiada pela embaixada irlandesa no Brasil, que pretende estimular brasileiros a estudar naquele país.
O embaixador da Irlanda no Brasil, Michael Hoey, oficializou a inauguração do Instituto, do qual passou a ser seu presidente honorário. "A música pop, como a do U2, é muito conhecida mas há muito mais o que descobrir na Irlanda, em especial a literatura e cultura, que é muito rica", ressalta Hoey.
Festivais de cinema e literatura estão na pauta das atividades em 2008 e 2009. A presidente do instituto, a jornalista e empresária, Maria Alice Ancona Lopez pretende, com estas ações, destacar a cultura da Irlanda e até colaborar nas relações comerciais entre os dois países, organizando uma missão em meados de 2008.
Qualidade de vidaCom um renda per capita anual superior a US$ 50 mil, alta qualidade de educação e baixíssimos índices de desigualdade social e de violência, a Irlanda destaca-se até dentro da Europa. Há poucos anos, em 2004, um estudo da revista The Economist, a mais prestigiosa publicação em economia, indicou o país como o melhor país para se viver no mundo. Esse bem-estar social, aliado ao charme da cultura irlandesa e à um vasto leque de oportunidades econômicas, está ao alcance de quem pretende estudar inglês no país por seis meses ou mais. A Irlanda é o único país que dá permissão para trabalhar por meio período para estudantes de inglês.
Isso significa 20 horas por semana no período de aulas e até 40 na época de férias. Em trabalhos mais simples em supermercados, restaurantes e pubs, o estudante recebe de 8 a 9 euros por hora. Já os trabalhos mais qualificados em lojas e escritórios, que exigem inglês mais adiantado, permitem ganhos de 12 a 14 euros por hora. Trata-se de um atrativo a mais para os brasileiros, já que a pemissão para trabalho pode ajudar a financiar o curso e a estadia, além de proporcionar experiência de trabalho e vida no exterior, aprendendo ou melhorando a comunicação na língua de James Joyce.
CursosAs escolas oferecem cursos de meio ano (25 semanas, que é período mínimo para solicitar o desejado "work permit") por cerca de 3.500 euros (R$ 9.500), o que inclui normalmente uma estadia por duas semanas em uma casa de família – tempo indispensável para solicitar a documentação necessária para trabalhar e se estabelecer em um endereço definitivo.
Ao entrar no país, mesmo tendo pago um curso de seis meses, o cidadão brasileiro recebe um visto de apenas 90 dias. Ao chegar, é necessário abrir uma conta em um banco do país e depositar no mínimo 1.500 euros –recursos necessários para sobreviver nos primeiros dois meses, a serem comprovados às autoridades.
Com este comprovante de depósito, mais os de pagamento de escola, acomodação e seguro médico, o interessado deverá, logo em seguida, se dirigir à migração para retirar a documentação legal (em especial, o PPS, algo similar ao CPF), que viabiliza a permissão de trabalho, e solicitar a extensão do prazo de estadia em até um ano.
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RefluxoA República da Irlanda é um dos mais prósperos paises da União Européia, e há muito tempo deixou de ser o patinho feio da região. Conhecida como exportadora de mão-de-obra desde a Grande Fome em meados do século 19, nos últimos quinze anos os investimentos na economia irlandesa inverteram a direção dos que procuram trabalho. Hoje, é a Irlanda, conhecida como o “Vale do Silício da Europa”, por concentrar as maiores empresas e serviços de tecnologia da informação.
Estima-se que haja 2.500 brasileiros estudando na Irlanda, dos quais cerca de 80% estão empenhados no domínio do idioma inglês e os demais 20% em estudos universitários de graduação e pós-graduação. Sete grandes universidades na Irlanda possuem uma forte tradição acadêmica. O Trinity College, da Universidade de Dublin, constituído há cerca de 400 anos, já chegou a ser considerado uma das três melhores universidades da língua inglesa, junto com as inglesas Cambridge e Oxford.
"A hospitalidade irlandesa tem sido reconhecida como uma das melhores da Europa", ressalta Peter O’ Neill, vice-presidente do Irish Institute e radicado no Brasil há cerca de 30 anos. "Mas o governo está especialmente atento a não permitir o trabalho ilegal", completa.
Brasileirinha
A cidade de Gort, no condado de Galway, oeste da Irlanda, tem um terço de brasileiros entre seus 3,5 mil habitantes, a maioria oriunda de Anápolis (GO). A colônia foi formada por profissionais da indústria da carne, quando a Irlanda estava importando mão-de-obra. Na cidade algumas missas são rezadas em português e não falta Guaraná, goiabada e arroz com feijão em alguns restaurantes.
Pólo de cultura e efervescência, a capital Dublin, om 1,5 milhão de habitantes, também tem se tornado destino de brasileiros portadores de passaporte europeu e é o destino mais procurado pelos estudantes que querem se integrar à vida irlandesa. Entretanto, outras cidades menores são boas opções para quem quer fazer a completa imersão no inglês.
Uma ilha, dois paísesAtualmente as turbulentas relações entre os irlandeses do norte e do sul da ilha tornam-se cada vez mais coisa do passado. Território independente desde 1921, a República da Irlanda cobre cinco sextos da superfície da ilha, com seus 4,4 milhões de habitantes de maioria católica. A Irlanda do Norte, com cerca de 1,8 milhão de habitantes de maioria protestante, permanece integrada ao Reino Unido.
A Irlanda conquistou sua independência da monarquia inglesa em 1921 e, ao declarar-se república, deixou em 1949 a comunidade britânica que é regida pela monarquia. Hoje, as populações tendem a superar ressentimentos com uma convivência pouco conflituosa. O turismo nos dois países sequer distingue fronteiras – não é necessário apresentar passaporte, por exemplo, numa viagem entre Dublin e Belfast.
Um forte indicativo do declínio das fronteiras religiosas é o fato que a atual presidente da República da Irlanda, Mary McAllese, ser natural de Belfast, cidade que frequenta e onde tem parte de sua família.
Portanto, a Irlanda é um destino dois em um, entre os mais belos e sui-generis na Europa.
(*)
Crédito obrigatório: Sérgio Corrêa Vaz, é jornalista (Colaborou Juliana Resende/BR Press)Voltar página anterior
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