








Leannan Shee é uma banda de folk cuja especialidade são as canções de taverna, cantigas de marinheiros e as dance tunes celtas. Formou-se no inverno de 2006 no bairro da Aclimação, em São Paulo, quando a banda em que César Castro-Rosa (voz, mandolin, tin whistle, guitarra elétrica) e Ivann Cavalhero (bodhrán) estavam tocando se dissolveu. Já estava com eles então a percussionista Lúcia Fernandes, que havia participado dos dois últimos shows da banda anterior, cuja carreira inclui anos de trabalho com o Mestre Dinho Gonçalves e com a cultura popular brasileira. No mesmo ano aliou-se a eles Pablo Piola (violão) e deram início à nova banda, Leannan Shee.


Quando a minha filha decidiu que iria para a Irlanda muita gente perguntou: Irlanda? Por que a Irlanda? Ou então: Orlando? Sua filha vai para Orlando? E os inevitáveis: "Mas lá não é perigoso?" "Mas lá não chove muito?"
A verdade é que para nós, do Atlântico Sul, a Irlanda foi, durante muito tempo, aquela ilha distante, lá para os lados da Inglaterra que exportava seus cidadãos para o mundo e, em especial, para os Estados Unidos. E aqui vai um mea culpa em nome de tantos brasileiros que sequer desconfiam que a Irlanda, entre tantas outras virtudes, produziu gênios da literatura como George Berkeley, James Joyce, George Bernard Shaw, Richard Brinsley Sheridan, Oliver Goldsmith, Oscar Wilde, W.B. Yeats, Samuel Beckett, Séamus Heaney, Herminie T. Kavanagh, e outros. Quatro deles - Shaw, Yeats, Beckett, Heaney - prêmios Nobel de literatura.
Na música os irlandeses são igualmente férteis. Christy Moore, Pat Ingoldsby, Shane MacGowan, Sinéad O'Connor, U2, The Cranberries, Bob Geldof, The Corrs, Enya são alguns dos seus filhos ilustres.
O gosto pela literatura está impregnado na alma irlandesa tanto quanto a música e contribuiram para o jeito de ser do povo - alegre, barulhento, exrtrovertido e pacífico - que recebe abertamente e sem qualquer preconceito os muitos estrangeiros que agora buscam o país como sua nova pátria e os milhares de estudantes que procuram seu bem estruturado sistema de ensino seja para aprender inglês ou para pós graduação. Porque, agora, o fluxo se inverteu. Os irlandeses que não mais deixam mais seu país, uma das economias mais ricas da Europa, com crescimento anual de 9%, estão abertos a receber gente para ocupar seus muitos postos de trabalho.
Se na vida acadêmica os irlandeses são bons, o mesmo pode-se dizer da vida social e o pub - há milhares deles pelo país - é o local de encontro de todos, é onde o irlandês se socializa, reúne-se com os amigos, acompanhados da Guiness, a cerveja escuira, densa e cremosa que é como um símbolo da própria Irlanda.
Em Dublin está concentrada praticamente a metade da população de todo o país que gira em torno dos 4 milhões. Com uma enorme porcentagem de jovens, a cidade ferve de animação em seus incontáveis restaurantes, pubs, especialmente na área conhecida como Temple Bar, isto para não falar dos inúmeros shows que acontecem regularmente na cidade.
Não bastassem todas essas qualidades, Dublin ainda está muito próxima das principais capitais européias e é servida por uma vasta malha aérea (inclusive de baixo preço) possibilitando pequenas viagens a Paris, Amsterdã, Madri, Londres e tantas outras cidades.
Com tanta qualidade de vida, quem se importa, afinal, com a chuva? "Um bom guarda-chuva resolve o problema" é o que diz minha filha depis de quase três anos vivendo (feliz) em Dublin.
